A condição humana diz-nos que apreciamos melhor aquilo que conhecemos. Este
dado aplica-se à própria investigação científica, pois quando conhecemos por
dentro o desenvolvimento celular das espécies ou quando se conhece a imensidão
de redes de um computador, melhor valorizamos a sua existência tendo argumentos
de sobra para apreciar e proteger. O mesmo acontece na chamada questão
ambiental atual ou no designado desenvolvimento sustentável: conhecermos a
riqueza da complexidade do mundo animal e vegetal e sabermos que existem
espécies em vias de extinção conduzir-nos-á à sua necessária proteção e
preservação.
Nesta linha, poder-se-á dizer que quanto mais e melhor conhecermos a
riqueza do mundo que nos envolve, tanto mais brota a obrigação ética de o
reconhecermos no seu caráter único e, consequentemente, a consciência da
urgência da preservação. Conhecimento e reconhecimento são, assim, duas
atitudes que quando devidamente assumidas confluem na segunda, ou seja: um
conhecimento autêntico, não somente quantitativo mas qualitativo, desemboca no
reconhecimento valorativo, como apreciação, rentabilização, otimização,
agradecimento.
Conhecimento em bruto, só como quem olha para a frente sem ponderar, sem
saber de onde vimos e sem valorizar a memória histórica que está antes de nós,
poderá ser conhecimento mais numa lógica de quantidade que de qualidade, não
deixando assim grandes legados… Reconhecimento pressupõe admiração, sabedoria
autêntica de quem olha em redor numa visão de conjunto e se preocupa com o
antes, o durante e o depois.
O tempo da vida não se recupera, é único. O tempo de estudante, sendo
recheado de procura sedenta de conhecimento(s) dará lugar ao reconhecimento da
generosidade que nos trouxe até ao presente e mesmo ao privilégio de hoje
frequentar formação académica. Reconhecendo este tempo e oportunidade únicas
(que nos são fomentadas pela família, pela instituição, etc), só poderá
significar a otimização ao máximo de tudo quanto faz parte do percurso
académico, da amizade com colegas até aos meios de estudo e investigação, numa
lógica não individualista.
Se a formação é aposta decisiva no futuro, todavia esta não pode fazer
esquecer o passado que a proporcionou e neste gesto estão inscritos os nomes de
todos os que permitiram o erguer e a sustentabilidade na qualidade da “casa”
que nos acolhe. Se os tempos são de exigência, valorizemos como oportunidade
mais ainda cada pormenor positivo e participemos em cada momento que possa
gerar a não resignação mas a expetativa em evolução.
A existência de conhecimento humano sem o reconhecimento do histórico que o
permitiu tornar possível (foi impossível conhecer a invenção informática sem
antes se reconhecer a criação da eletricidade), talvez possa representar um
passo arriscado num futuro incerto e de algum modo fora da ética histórica de
que uns sem os outros nada somos e pouco conseguimos ser e fazer.
Não há futuro promissor, sem passado (re)conhecido. Mais que conhecimento
veloz em bruto, a humanidade precisa do cientista que saiba reconhecer o
histórico para integrar ética e sabiamente a sua (e também nossa) nova
descoberta. Este salto qualitativo permitirá a garantia da ligação integrada do
passado ao futuro. Conhecer com qualidade passa por reconhecer como atitude.